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Impermeabilização da Marginal Tietê 16/06/2009

Posted by Juliana Gatti Pereira in Acontece, Consumo Consciente, Meio Ambiente, Preservação, educação ambiental, Árvores, árvores de são paulo.
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Recebebemos recentemente da Arquiteta Sidnéa de Souza Silva, a Moção de Protesto e Repúdio escrita pelo Grupo de Trabalho pelo Patrimônio Histórico do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) São Paulo. Abaixo copiamos o texto na integra.

Convidamos todos nossos visitantes a vistarem a página do IAB e colocarem seus nomes no abaixo assinado. Todos podemos assinar, sendo arquitetos ou não, somente com o número do RG!!!

É lamentável que o projeto de criação de mais uma faixa na marginal tenha sido aprovado! Conheçam mais sobre o projeto acessando a página da Prefeitura de São Paulo. E também notícias a respeito da aprovação do projeto pela Secretaria do Verde.

Abaixo o texto na íntegra:

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Prezados(a) Colegas,

O Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamenot de São Paulo apoia e encaminha a todos para conhecimento a *Moção de Protesto e Repúdio*, elaborada pelo seu Grupo de Trabalho Patrimônio Histórico.

Arq. *Rosana Ferrari*
Presidente

*MOÇÃO DE PROTESTO E REPÚDIO*

Nós, arquitetos membros do Grupo de Patrimônio do IAB-SP – INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL – SÃO PAULO, achamo-nos no dever profissional e cidadão de redigir este documento público, através do qual manifestamos nossa total perplexidade e repúdio ao projeto de ampliação das pistas da via Marginal do rio Tietê ao longo de 15 quilômetros a partir do anel viário conhecido como “Cebolão”, e igual ou maior repúdio à construção de duas alças de acesso para fazer a ligação entre a via expressa (Marginal do Tietê) e duas avenidas locais (Avenida Tiradentes e Avenida Cruzeiro do Sul).

Em total contradição com o projeto do Rodoanel – que corretamente objetiva desafogar o tráfego veicular da área urbana do município –, a ampliação do número de faixas de rolamento das Marginais do Tietê constitui-se num indutor à circulação de veículos naquela área central da cidade, negando todo o embasamento conceitual de tráfego que guiou os estudos de implantação do Rodoanel.

O projeto pretendido zomba, também, do massivo investimento que foi feito, pelo Governo do Estado, na recuperação dos taludes do rio Tietê através da implantação de rico projeto paisagístico que incluiu o plantio de árvores, árvores que serão totalmente suprimidas, assim como a área permeável dos taludes e faixa ciliar do rio, para dar lugar a pistas de rolamento.

Nas grandes metrópoles do mundo – veja-se o recente exemplo da cidade de Seul, Coréia, visitada pelo Prefeito de São Paulo no mês de maio –, os rios vêm merecendo tratamento oposto: projetos que abordam os rios como marcos hidrográficos do território urbano, e que se apropriam desses marcos como elementos de qualificação da paisagem urbana, inibindo a sua conexão com o automóvel, incentivando a sua conexão com o pedestre e com a vegetação urbana.

As duas alças viárias pretendidas constituem-se em equívoco maior, por diversas razões urbanísticas.

Primeiro equívoco: o projeto baseia-se numa premissa estreita, reduzindo a questão à solução de um problema de tráfego veicular, qual seja: eliminar pontos de estrangulamento de tráfego. Ora, desafoga-se aqui, empurrando para adiante o ponto de estrangulamento – pois a quantidade de veículos circulando não diminui com essa providência. Isto é racional?

Segundo equívoco: Para “empurrar” para outro local o ponto de estrangulamento, vale o custo de rasgar e poluir a paisagem com viadutos? Note-se um dado importante: todas as pontes urbanas que cruzam o rio Tietê ligam vias locais e, como tal, têm seu traçado bastante ortogonal e perpendicular ao rio. As duas alças pretendidas têm, ao contrário, traçado em curva, denunciando sua mera função rodoviarista, incompatível com o caráter urbano das pontes existentes.

Terceiro equívoco: o projeto das duas alças carece de um mínimo de sensibilidade e de compreensão do caráter da paisagem urbana paulistana daquele trecho da cidade, pois se intromete nas visadas do conjunto da Ponte das Bandeiras, a mais bonita e bem composta, do ponto de vista arquitetônico, das pontes que atravessam todos os rios da cidade de São Paulo.

A Ponte das Bandeiras carrega alto valor simbólico, pois está implantada no exato local onde no passado existiu a antiga Ponte Grande, a primeira que transpôs o rio mais paulistano da cidade. O comprometimento da visão do conjunto da Ponte das Bandeiras (ponte-tabuleiro, cabeceiras, torres) será deletério, definitivo e irreversível, caso vingue a construção das inadequadas alças rodoviárias sobre o rio.

Por prever os prejuízos urbanísticos da realização da ampliação das Marginais do Tietê, e principalmente os prejuízos paisagísticos decorrentes de uma eventual construção das duas alças viárias, somos impelidos a solicitar a todos os atores e instâncias responsáveis pela viabilização desse equivocado empreendimento rodoviarista que avaliem cautelosamente o projeto, e decidam pelo bem da preservação da história, da memória e do decoro urbanístico.

*Autor da Moção: Arq. Vasco de Mello*

*Grupo de Trabalho Patrimônio Histórico do IAB-SP*
*Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo*
Rua Bento Freitas, 306 | 4º andar | Vl. Buarque | 01220-000 | SP
Fone/Fax: (11) 3259-6866 | 3259-6597

e-mail: iabsp@iabsp.org.br

site: www.iabsp.org.br

Comentários»

1. sidnéa de souza silva - 19/06/2009

proposta do projeto: lamentável, equivocada, procedente de quem não conhece a cidade – ou não se importa com o futuro da mesma bem como com a qualidade de vida de seus habitantes- sinceramente, chega a ser patético.

JuÁrvore - 20/06/2009

AGRADEÇO MUITO SIDNÉA TODA SUA COLABORAÇÃO E ATENÇÃO!!! VAMOS ARTICULAR E AGIR LOGO!!!

Valter Cardoso - 30/07/2009

A Prefeitura de São Paulo se transformou em “casa da mãe Joana”, onde seres sem qualquer formação ou escrúpulo, satisfazem seus egos e desejos através de “obras” e atitudes que não condizem com o bem estar da população. Se sentem donos da Prefeitura, atuando conforme lhes convém. É, como diz Bóris Casói, uma VERGONHA!

2. Maria Celeste - 19/06/2009

Meu Deus, viva!!!
Enfim vozes importantes contra projeto tão equivocado. Vi hoje que várias daquelas lindas e antigas árvores foram cortadas, uma cena triste.
Faço coro ao protesto!

JuÁrvore - 20/06/2009

Olá Maria Celeste,
Relamente é de doer o coração ver a remoção de árvores adultas e grandiosas que cumpriam seu papel de proteger os milhões de motoristas parados no congestionamento do sol forte, de dar casa para a avifauna existente em nossa cidade, de nos dar melhores condições de clima…

Vamos nos mobilizar, vamos agir! Somos nós que decidimos para onde vai nosso dinheiro!!! Divulgue a moção para seus contatos… Vamos fazer um coro muito alto!!! BASTA!!!

3. Maurício - 20/06/2009

Essa obra é um ABSURDO!!!!!!!!

Se juntarmos todos os canteiros que estão sendo trocados por pistas para automóveis e todas as árvores que estão sendo retiradas, estaríamos falando em destruir um imenso parque em São Paulo, que quase não possui áreas verdes.

Vamos impermeabilizar ainda mais a várzea do Rio Tietê, quando deveríamos criar ainda mais áreas verdes em seu entorno.

A ampliação das pistas significará mais carros passando por dentro de S. Paulo, mais poluição, mais enchentes, menos verde, enfim, uma cidade mais feia e poluída.

Vamos atrair mais trânsito, tirar lugar de pedestres para colocar veículos e distanciar ainda mais o dia em que os paulistanos teriam um Rio Tietê recuperado, limpo, cercado de áreas verdes.

JuÁrvore - 20/06/2009

Olá Maurício,

Realmente, do que adianta essa obra… Diminuir em 30 minutos ou 1 hora o tempo de viagem de quem pega congestionamento??? Por quanto tempo??? Esse projeto é um retrocesso de 40 anos, vai completamente contra toda necessidade latente dessa cidade, cade o transporte público??? Cadê mais linhas de metrô e trem??? Cade moradia, escolas, postos de saúde??? Onde está a visão de planejamento para o futuro sustentável da cidade? Será que os governantes e a maioria da população não consegue perceber que deveríamos estar caminhando com projetos que revistalizam as marginais? Que devolvem a vida e convivênca da população para os rios? Que os nossos rios são fonte de vida e devemos preservá-los ao máximo? Não há país no mundo que hoje pense em impermeabilizar as margens de rios!!!

De que adianta fazer o plantio no Parque Ecológico do Tietê?? Lá elas estão se repoduzindo sozinha, recompondo a mata naturalmente… aqui onde precisamos amenizar as condições climáticas para viver com mais saúde eles removem… Todas que foram plantadas recentemente serão removidas!!! Temos que acompanhar de perto, nos mobilizar e quem sabe conseguir reverter essa ditadura de projeto!!!

BASTA!!!

4. Roberto Locatelli - 25/06/2009

Tanto o prefeito como o governador estão olhando a cidade como um lugar para ficar entupido de automóveis, e não um lugar para moradores e para a natureza.

5. ANDRE - 25/06/2009

É infelismente uma covardia.
Sou da seguinte opnião, já que o velho vai ser substituido pelo novo, quetal cortar as pernas deste politicos engenheiros e todos os responsaveis pela obra. Substituiremos por dez novos e jovens, não seria a mesma coisa.
A covardia é tamanha que o corte é feito a noite.

Existe alguem ou alguma coisa para parar agora resta poucas mas ainda existe.

André

6. Paula - 26/06/2009

Pra que se discutir sobre Os Rios de São Paulo, pra que mostrar bons exemplos, se vivemos num mundo de ignorantes?

A impressão que tenho é que estamos andando pra trás.

E depois o José Serra e o Kassab tem a coragem de dizer que vai “melhorar a qualidade de vida”!! Só pode ser piada!

7. Sofia - 15/07/2009

Queridos amigos, sou menor de dade, mais indo viajar percebi que mesmo colocando mais uma faixa na marginal o transito não irá melhorar, pelo contrario, pois quanto mais espaço, mais gente virá. Portanto tive uma grande idéia, um tanto quanto absurda, lendo o livro “república dos argonautas” de Anna Flora que é: plantar um monte de paus-brasil no canteiro, essa árvore está ameaçada de extição, portanto esta protegida por lei. Por favor, comentem no meu blog http://www.tapajosblablabla.blogspot.com/ isso me respondam se é uma idéia muito absurda!
obrigada pela atençao.

Juliana Gatti Pereira - 28/07/2009

Olá Sofia,

Achamos a sua idéia bem interessante, no entanto como as coisas estão caminhando talvez não exista nada que segure esta obra absurda!!! Pois nem mesmo o fato das margens serem Áreas de Proteção Permanente fez com que eles repensassem este projeto!

Vamos torcer! Abraços