Plantando árvores… nas pessoas

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Este post foi publicado primeiro no portal Conexão Planeta em 22 de novembro de 2016

Quando comecei a trabalhar com sustentabilidade e a questão ambiental, ainda na faculdade, uma dúvida sempre se manifestava nos projetos com os quais eu me envolvia ou propunha. Como as pessoas podiam valorizar ou cuidar de algo que elas não conheciam ou ao qual não se sentiam vinculadas e participantes?

De certa maneira, esta pergunta ainda persiste e me acompanha na criação de estratégias para envolver crianças e comunidades em projetos que promovam maior cultura ecológica e identidade ambiental na vida, todos os dias.

Há poucos dias, caminhando no bairro em que cresci em São Paulo, passei ao lado de mais um empreendimento imobiliário que, para sua realização, transplantou uma pitangueira preta que vi crescer e frutificar, de um lado para outro, no mesmo terreno.

Pitangueiras que frutificam pitangas pretas são raras de encontrar na cidade grande. Acredito que até no campo também. Mas quem sabe disso? Quantas pessoas, ao caminhar diariamente pelas ruas, repararam na pitanga preta que estava disponível, durante toda a primavera, para alimentar todas as aves e também nós, humanos?

Fiquei bastante aflita ao passar ao lado da pitangueira transplantada, já observando sua vida se esvaindo, na secura de seus frutos e folhas. Mas mágicas sempre acontecem quando estou em contato com a natureza. E foi o que aconteceu naquele dia.

Uma folha seca se desprendeu de sua copa e, delicadamente, caiu sobre meu peito. O desprendimento fluiu como uma lágrima que parecia saber que, ao me encontrar, se conectaria ao meu coração.

Digo, muitas vezes, que a missão do Instituto Árvores Vivasorganização social que presido e que dá nome a este blog no Conexão Planeta  – é de plantar árvores nas pessoas. Pois sei que, de alguma maneira, as árvores plantaram uma semente em mim também.

Ao receber a pequena folha seca da pitangueira, senti que ainda existe muito a ser feito. E quem sabe um dia – espero que em breve -, o arquiteto, o engenheiro, o presidente da empresa, o corretor e o morador de cada empreendimento imobiliário das cidades saibam o valor de cada árvore, cada nascente, cada fluxo de água, cada ave que vive e ocupa aquele local por anos, décadas e séculos. E que, com NATURALIDADE, desenvolvam e comercializem projetos que respeitem todos esses elementos para serem assim valorizados, enaltecidos e premiados.

As grandes cidades têm, cada dia mais, acolhido habitantes do mundo todo. Nos próximos anos, a grande maioria da população mundial viverá em centros urbanos. Mas, como estes locais podem ser ótimos espaços para a vida de todos os seres? Será que temos apoiado e favorecido iniciativas que promovam mais harmonia, saúde e valorização dos ativos ambientais de cada local? Qual a responsabilidade de cada um de nós em nossas profissões, relacionamentos familiares e entre amigos na busca por uma vida que respeite, cuide e valorize a vida?

Com sua morte – causada pela falta de compreensão de suas necessidades como ser vivo -, a pitangueira é quase como uma vitrine para todos que enxergam e sentem que algo está completamente fora da ordem.

Lutas sociais por todos que não têm voz e precisam de apoio para serem ouvidos. Pessoas, fauna, flora, rios. Não muito distante da pitangueira, vemos outras árvores antigas e nascentes secarem no Parque da Água Branca, pois o lençol freático de águas subterrâneas foi rebaixado. Esses danos posteriores à natureza dos bairros não são inclusos nos relatórios de impacto ambiental das obras.

O coletivo Ocupe e Abrace, que cuida com muito carinho e respeito da Praça da Nascente, está agora em ação para proteger suas águas e, consequentemente, a vida de todos os seres – incluindo a comunidade – desse local. Então, convido você a conhecer essa causa, contribuir e se inspirar. Todos podemos ter atitudes mais responsáveis com a natureza que somos e que é conectada com cada pedacinho vivo e pulsante ao lado das nossas casas.

Em 2017, o Instituto Árvores Vivas quer fortalecer ações de vínculo entre crianças e comunidades com a natureza no bairro de sua sede – Campos Elíseos, em São Paulo. Assim, aproveito este post para fazer outro convite: conheçam nosso projeto e realizem doações para nossa causa no dia 29 de novembro, Dia de Doar. Faremos a divulgação dos detalhes da campanha no evento criado em nossa página no Facebook. Conto com vocês para ampliar a cultura ambiental na sociedade e levar este senso de vínculo e pertencimento com a natureza para as crianças.

Foto: Renata Albuquerque 

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